Iluminação para Iniciantes:
Este texto pretende ajudar o iniciante a fazer um bom trabalho de iluminação num espetáculo. Primeiro, é necessário entender que o iluminador faz mais do que apenas emendar fios e virar interruptores. Ele realiza as seguintes funções:
Planeja a iluminação
Seleciona os instrumentos
Faz as instalações das luzes
Opera as luzes
Como uma pessoa pode montar a iluminação de um palco, de modo que possa ser usada para todos os tipos de peça, sem mudança? Isso é impossível. Casa peça exige uma montagem diferente. Eis por que a iluminação é um desafio e há necessidade de um sistema flexível para se alcançar os cinco propósitos seguintes da iluminação do palco.
Propósitos:
Garantir que a platéia possa ver o que está acontecendo.
Ressaltar a beleza da forma e da cor.
Salientar personagem, ação ou diálogo – ou a combinação destes.
Estabelecer e manter o espírito da peça.
Estabelecer o local, hora do dia, ou sugerir algum fenômeno natural.
Cada um dos propósitos é alcançado através de uma ou mais das três técnicas ou meios:
QUANTIDADE-DISTRIBUIÇÃO-COR
Quantidade:
Quantidade significa a quantidade de luz. Isto é determinado pelo número, tipo e potência dos instrumentos de iluminação do palco: “spotlights” e refletores. Ao falarem “intensidade, “quantidade de luz” etc., lembre-se de que o brilho é uma coisa um tanto relativa. Uma vela, em sala escura, pode parecer mais brilhante do que um “spot” de 1000 watts numa sala profundamente iluminada. Há vários tipos de refletores e geralmente são usados como indicado:
Refletores para luz difusa, que são usados para iluminar o pano de fundo e o exterior das janelas do cenário. Não é mais tão usado quanto antigamente.
Refletores de luz concentrada, ou seja, para fachos de luz, e servem para simular a luz do som e a luz da lua. Usados para iluminação de janelas e aberturar do cenário.
Refletores côncavos, que servem para iluminação vertical do pano de fundo e painéis do cenário.
Refletores de rebordo, para mistura de cores.
Refletores longos, para iluminar entradas.
Luzes de rampa (ou cena), permanentes e portáteis, servem para iluminação, de baixo, de cenário de céu, para eliminar sombras do cenário de fundo, e para harmonização de cores nos níveis inferiores.
Uma vez que a quantidade de luz requerida varia de cena para cena, é muito importante que haja algum modo de controlar a intensidade dos vários instrumentos de iluminação. Isto significa que é preciso ter a possibilidade de diminuir a intensidade das luzes.
Para ter utilidade, este controle para diminuição da intensidade da luz (“dimmer” ou reostato) deve ser flexível, isto é, capaz de controlar um número variável de instrumentos ou circuitos. Isto é tão importante quanto ter “spotlights” e refletores que possam ser movidos para diferentes posições, a fim de fornecer o tipo e a quantidade de luz necessária, onde for preciso.
Há diferentes tipos de “dimmers” (reostatos), sendo que os mais comuns são o autotransformador e o tipo de eletrônico. O tipo autotransformador é resistente e de fácil manutenção.
Se deseja um sistema de “dimmer” mais barato, use reostatos caseiros ou industriais pequenos (1000W a 2000W) para substituir a chave articulada. Neste sistema, podem ser usados mais de um instrumento. Não sobrecarregue os circuitos.
Chame um especialista em eletricidade para ajudá-lo na substituição de quaisquer interruptores.
Distribuição:
O segundo fator, para se alcançar os cinco propósitos da iluminação de palco, é a distribuição. Se a luz vem de um ponto na platéia e é quase paralela à linha de visão dos expectadores, a iluminação é plana e desinteressante.
À medida que se amplia o ângulo entre a linha de visão da platéia e a direção da fonte de luz, as sombras aumentam, criando um efeito mais dramático. Explicamos aqui os vários ângulos a partir de um ponto fixo: 0º - Plano – Sem sombrar.
45º - Normal – É o melhor para usos gerais
80º - Dramático – Devido a maiores sombras e contrastes.
135º - Iluminação de rebordo – Intensa e altamente dramática, usada raramente, mas eficaz em ocasiões especiais.
Os ângulos de projeção podem variar, abaixo da linha de visão, com resultados igualmente surpreendentes. O ângulo mostrado produz o que chamamos de “Silhueta”.
Os ângulos mostrados são variações nos planos verticais.
Resultados semelhantes são alcançados variando-se o ângulo de projeção no plano horizontal (incluindo um total de 360º, e não apenas de 180º.
Assim como um pintor seleciona suas cores para pintar uma obra de arte, o artista da iluminação escolhe suas cores e instrumentos para conseguir a composição que tem em mente.
Uma iluminação de cor única (monocromática) tem pouco calor, pois não existe um padrão de comparação para localizar e avaliar uma nuance de cor. Quando é introduzida uma cor de comparação. Obtêm-se fatores de relativa intensidade, e começa a se formar uma composição de cores.
Falando de maneira geral, a iluminação de palco deve ser motivada, isto é, deve parecer que tem origem em alguma fonte recomendável, como o sol, a lua, um abajur, uma vela, etc. A luz dessa suposta fonte será bem mais intensa, e é o que se chama de iluminação dominante. As mesmas áreas gerais, iluminadas pela luz dominante, são geralmente iluminadas, da direção oposta, por luz de menor intensidade e complementar em cor, relativamente ‘a luz dominante. O segundo tipo de iluminação é chamado de iluminação secundária.
Por exemplo: Se a luz motivada é de um abajur, os instrumentos da iluminação dominante devem ser dirigidos às áreas que seriam normalmente iluminadas pelo abajur, com exceção do teto e, possivelmente, da cena. A iluminação secundária viria dos lados do palco e provavelmente seria turquesa ( ou poderia ser branca), porque a luz do abajur seria, normalmente amarelada.
Um pôr-de-sol entrando por uma janela, à direita do palco, seria reforçado com “spots” adicionais do proscênio, à direita, aproximadamente no mesmo plano e da mesma cor (tons mais profundos de âmbar). A luz secundária (azul-aço) viria de cima, da frente e da esqueda.
Cor:
A cor é importante na iluminação do cenário.
Quando um facho de luz do sol passa através de um prisma, ele se separa três cores primárias – vermelho, verde e azul, e cerca de 120 combinações dessas cores.
Experiências mostraram que a luz incandescente tem as mesmas cores primárias (vermelho, azul e verde) da luz do sol, mas em proporções que variam – mais vermelho e menos azul.
As experiências também demonstraram que essas três cores primárias, em proporções adequadas, produzem não apenas luz branca, mas todos os matizes visíveis ao olho humano.
Não confunda as três cores primárias da luz (vermelho, azul e verde) com as três cores primárias da tinta (vermelho, amarelo e azul). Luz vermelha, luz azul e luz verde produzem luz branca.
Mas pigmentos de tintas vermelho, azuis e amarelos puros, misturados, produzem tinta preta, porque, quando se misturam tintas de cores diferentes, uma ação física destrói os matizes que não sã comuns a todas elas. Como não há nuanças comuns entre vermelho, azul e amarelo, todas as nuanças são destruídas, não sobrando qualquer propriedade para refletir cor, e o que faz com que a mistura apareça preta. Não espere que isto açonteça, se misturar tinta vermelha, azul e amarela no cenário. O resultado será um cinza lamacento, porque as cores são monocromáticas (cor simples ou pura).
Os filtros não acrescentam cor à luz. Elas fazem o que seu nome indica – filtram as outras cores. Um filtro azul filtra o vermelho e o amarelo; o verde filtra o azul e o vermelho; e o vermelho filtra o azul e o verde. Os filtros geralmente são feitos de gelatina, plástico ou vidro.
Gelatina – Dura bastante quando seco
Plástico – Excelente para exterior, quando há umidade
Vidro – É um bom filtro. O maior defeito é que pode quebrar
Seleção de Cor para filtros.
1- Para áreas de ação:
Quentes: Cores usadas para sugerir luz do dia e brilho. Âmbar, amarelo, rosa e salmão.
Frias: Usadas para sugerir noite, anoitecer. Azul e violeta.
Neutras: Lavandas quentes ou frias ou neutras. Boas para cenas noturnas. Lavands, cinza e chocolate.
2- Para acentuar. Iluminação adicional para áreas de ação – luzes laterais, luzes beixas, luzes de fundo. Esculpem o ator, acrescentam interesse e dimensão.
Quentes: Amarelo, âmbar, laranja, rosa vivo e fúcsia.
Frias: Púrpura, azuis e verdes.
3- Para abóbadas: Luzes para abóbodas que representam o céu, podem ser de qualquer cor com pano de fundo branco.
Céu abobadado: Lavanda, púrpura, azul e verde.
Para a luz do sol: Palha, amarelo, âmbar, laranja, rosa vivo e fúcsia.
Luar: Lavanda e azul.
Noite e anoitecer: Para um efeito de noite mais natural, use cores friar, violeta e zul nas áreas de ação.
Efeitos especiais: Fogo, fantasmas etc. Fosco, amarelo, âmbar, alaranjado, vermelho, rosa, fúcsia, púrpura, azul, verde, cinza e chocolate.
Há quatro princípios básicos envolvidos no uso de cores numa iluminação de palco:
• Mistura de cores cumulativa
• Reflexo
• Absorção
• Transmissão
Este é um triângulo de cores, mostrando as cores primárias da luz, e é um excelente método para explicar as combinações de cores.
Quando aparecem luzes coloridas de duas ou mais fontes, em uma área comum branco ou de cor neutra, essas cores são acrescentadas. Assim, vermelho mais azul dá fúcsia; azul mais verde dá azul-pavão; e vermelho mais verde dá amarelo. As três últimas cores resultantes são os três pigmentos ou tons primários (amarelo, fúcsia e azul-pavão).
Para ver como funciona a mistura de cores cumulativas, inicie com um “spot” em vermelho, em sua intensidade total, e verde, apagado. Depois, diminua ¼ do vermelho, de modo que fique com ¾ da intensidade e deixe o verde com ¼ de intensidade. O resultado será laranja. Na metade, a cor será amarelo, e quando o verde subir para ¾, o vermelho baixará para ¼ e a cor será verde-amarelo.
Se o processo for repetido com os redutores (dimmers), usando-se vermelho e azul, ¾ luz vermelha e ¼ luz azul, obtemos carmim; ½ luz vermelha e ½ luz azul dá fúcsia, e ¼ luz vermelha e ¾ de luz azul, dá violeta.
Variando-se as quantidade de luzes azuis e verdes, é possível preencher o terceiro lado do triângulo e produzir turquesa, azul-pavão e verde-azulado.
O triângulo ficou completo produzindo: (1) as três cores primárias: vermelho, azul e verde; (2) as três cores secundárias: fúcsia, azul-pavão e amarelo; e (3) as seus cores intermediárias: carmim, violeta, turquesa verde-azulado, verde-amarelado e laranja.
Desenhe uma linha saindo do centro de cada linha-base até a cor da luz primária que se encontra na linha-base oposta, ou seja, de fúcsia para verde, de amarelo para azul, e de azul-pavão para vermelho. No lugar onde as linhas se cruzam, escreva B, ou a palavra branco.
Foi estabelecido que a luz vermelha, mais luz azul, maus luz verde, é igual à luz branca. O mesmo acontece com a mistura correta de quaisquer das duas cores que se encontrem uma em posição oposta à outra, no triângulo. Por exemplo, fúcsia mais verde é igual a branco; amarelo mais azul é igual a branco; verde-amarelado mais violeta é igual a branco; laranja mais turquesa é igual a branco; e carmim mais verde-azulado é igual a branco.
Matizes de cor podem ser obtidos com a adição de luz branca à composição, da mesma forma que um pintor acrescenta branco às suas tintas para obter matizes na tinta. Isto é especialmente útil quando se tem um filtro da cor certa, que deverá ser de tom bem escuro.
O segundo, terceiro e quarto princípios da iluminação são o reflexo, a absorção e a transmissão da cor. Quando uma luz é projetada sobre uma superfície ou objeto, uma destas três coisas deve acontecer: ela é refletida /ou absorvida e/ou transmitida.
Este princípio precisa ser cuidadosamente considerado no planejamento do guarda-roupa e da maquilagem, porque um filtro da cor errada pode arruinar o mais belo traje ou a melhor maquilagem. Um filtro verde transforma o “rouge” e o batom em cinza lamacento ou preto, e um vestido amarelo em verde.
Quando uma luz colorida é projetada sobre uma superfície de cor diferente, a única cor que será refletida é aquela que é comum a ambas. Por exemplo, um verde-azulado sobre superfície vermelha parecerá preto acinzentado, porque não há nada no vermelho que reflita o azul ou o verde.
Usando-se os princípios de reflexo e absorção, podem-se produzir efeitos dramáticos sobre a maquilagem, os trajes e o cenário. Uma pessoa maquilada completamente de vermelho aparecerá, sob luz vermelha, como uma pessoa branca, comum. Mude a luz para azul, entretanto, e a pessoa parecerá ter pele escura. Trajes e cenário sofrerão as mesmas alterações de cor.
Quando há duas cenas pintadas na mesma área, uma em vermelho monocromático e a outra em azul monocromático, e elas são iluminadas com puro vermelho e puro azul, cada cena será visível apenas quando for iluminada pela luz de cor oposta à pintura.
Quando a luz saindo de uma única fonte passa através de um ou mais filtros, apenas as cores que são comuns a todos os filtros empregados são transmitidas. Neste caso, a luz branca passa sucessivamente através dos filtros violeta e verde-azulado. Como o azul é a única cor comum, é a única que finalmente se torna visível. A luz resultante será fraca, porque a maioria dos raios foram filtrados.
É importante lembrar as implicações da última frase. Pode ser necessário usar várias vezes o número de luzes coloridas, para obter a mesma intensidade de uma única luz branca, da mesma wattagem. Se não houver bastante instrumentos para produzir visibilidade suficiente, quando equipados com filtros, poderá ser necessário usar o branco como luz dominante e uma cor pastel fria como secundária.
Para efeitos especiais sobre tecidos, tintas e maquilagem fluorescente, usa-se luz ultravioleta.
Um tecido embebido numa solução de detergente de uso caseiro, fluoresce num branco-azulado. Para as demais cores, há tecidos e tinas especiais. O cenário pode ser pintado com tinta fluorescente. Não exagere. Avise aos atores que não olhem diretamente para a luz.
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