
História da Iluminação Antes de Cristo e Depois de Cristo Se nós fossemos olhar para um quadro esquemático da iluminação artificial no teatro, ficaríamos abismados em perceber que em 2.300 anos há apenas um pouco mais de 400 nós temos esse tipo de melhoria. Isto nos demonstra que o teatro independeu da “iluminação” para existir, embora dependesse da luz para se visto. É claro que com essas considerações não queremos diminuir ou eliminar o valor da iluminação no palco, mas reforçar o conceito que “um mau espetáculo dificilmente será salvado por uma iluminação primorosa como um bom espetáculo pode ser grandemente prejudicado por uma luz mal executada”. (ZIEBINSKI) Teatro Grego e Romano Costumamos iniciar nossos estudos sobre teatro na Grécia embora saibamos que as raízes remontam ao primitivismo mimético existente entre os seres vivos que já nos faz lembrar o teatro. Da dança mágica ao ritual, que os nossos ancestrais utilizaram com efeitos mágicos, onde o recurso da máscara completava a composição das figuras a serem representadas e da embriaguez orgíaca que comemorava o renascimento das coisas e seres até o jogo cênico, tudo sucedeu de forma evolutiva até a necessidade de representar os deuses e os heróis e começar por Téspis, por volta do ano de 560 a.C, com a petulância de encarnar outra personalidade a ponto de escandalizar Sólon e a seguir por Sófocles e outros dramaturgos trágicos. Esse teatro era feito em grandes espaços construídos em encostas, com madeira, direcionados de sudoseste a noroeste, a fim de receber a luz do sol por trás dos espectadores e obliquadamente aos atores, já que os espetáculos se iniciavam com o amanhecer e comendo enquanto assistiam e comentavam o que estavam vendo. Já existiam as máquinas de palco com roldanas e guindastes, plataformas rolantes e carros voadores, para o aparecimento de heróis e deuses pelos ares. Os romanos copiaram o teatro grego e construíram o seu espaço a partir do chão, sem apoiá-lo em enconstas de montes. Citaremos ainda o mimno, que era a forma lembrando o “vaudeville” ou o “music-hall” mais atual e a pantomima, uma espécie de Tragédia lírica com atores portando máscaras e diferentes personagens e, daí, derivando para cenas corridas, pugilatos, gradiadores e até derramamento de verdadeiro sangue humano. Tudo isso à luz do dia em Roma. No século IV a igreja assume o poder e, considerando o teatro coisa dissoluta, atacando e proibindo. Durante a Idade Média (Na Europa – Século IX) A multidão reunida na igreja forma a platéia propícia para o espetáculo teatral que irá acontecer dentro desse ambiente favorável no século IX. Os primeiros dramas litúrgicos foram representados no claustro, no adro ou sob o pórtico da casa de Deus à luz das velas e entre a fumaça do incenso. De interior das igrejas, as representações se deslocam para a porta dos templos, coincidentemente, à media que se tornam mais profanas. Do século XII ao XIII as formas derivadas desse teatro cristão se transformam em cortejo e procissões com quadros vivos em carros decorados (chamados “pegeants”na Inglaterra), no século XIV. Na França, em 1371 cria-se a Confraria da Paixão que pede autorização para criar um teatro no Hotel Borgogne em 1403. Era um salão grande onde havia o jogo de pela. Renascimento (Séc. XVI a XVII) Há uma retomada do teatro clássico e se iniciam as construções de teatro, ainda não permanentes destacando-se nomes como: Bramante e Serlio (1475/1554), Palladio (1518/1580) constrói o teatro Farnésio de Parma, Torelli cria a boca de cena com colunas e Sabbattini publica em 1637 uma obra sobre cenografia e técnicas teatrais. Na Espanha o teatro acontece ao ar livre no local denominado “corrales”, o público trazia suas próprias cadeiras. Nos teatro italianos são usadas clarabóias ou não existe cobertura. Em 1629, na França, é construído o Teatro de Marais e Richilieu manda construir o Pallais Royal. Na Inglaterra o teatro se desenvolve nos páteos das hospedarias e, mais tarde é construído o famoso teatro Globe. Em 1658, os espaços já estão sendo iluminados por velas e Inginieri sugere que se apague a platéia para valorizar o palco, entretanto não havia meios de se realizar esse intento. Nas ruas se desenvolve um tipo de teatro denominado Comédia Dellarte que vai durar do século XIV ao século XVIII. A necessidade da luz artificial (Séc. XVII a XVIII) Em 1618 a ópera passa a ter função à noite o que cria a necessidade primeira de se iluminar a sala e o palco, das casas de espetáculos. Usam-se velas de cera e de sebo até o século XVIII, mas também eram usadas toucheiras esfumaçantes. Por volta de 1725 utiliza-se no teatro a iluminação de azeite e a óleo com o emprego da torcida (pavio) de algodão. Somente em 1780 são colocadas velas na ribalta da Comedie Française, protegidas por pás de metal, mas desde 1768 os transportes estão melhorando com o udo da máquina a vapor de Fullton. Em 1785, Quinquet descobre o processo do lampeão com corrente de ar dupla que melhora muito a luminosidade. Em 1792, o inglês William Murdock utiliza-se da iluminação a gás (carbureto) e em 1799 após por Bunsen que cia o controle do fluxo e, conseqüentemente da luminosidade. As grandes transformações Em 1810 o querosene começa a ser utilizado nos lampeões e em 1830 é instalada a luz a gás nas ribaltas dos teatros Opera e Odeon. Tembém por essa época se inicia o Romantismo contra o Classiscismo existente. Em 1874, os Meiningerm correndo a Europa, dão uma guinada nos conceitos teatrais vigentes, demonstranto uma disciplina de trabalho até então desconhecida (a função grupal) e criando a figura do encenador, como as primeiras colocações do teatro naturalistas. Em 1877, Wagner em Bayreuth concretiza o velho sonho de Inginieri, mandando apagar as luzes da platéia durante a função, acentuando assim a ilusão mágica do palco. A luz de gás não só propicia esse fato como pode ser controlada em intensidade além de contrar com maior luminosidade. Em 1879, Thomas Edison inventa a lâmpada elétrica, Em 1881, o teatro Savoy na Inglaterra, anuncia que a sua iluminação é totalmente elétrica usando-se o arco-voltaico, as lâmpadas incandescentes e seis redistências, Em 1890 a uz incandescente é encontrada na maioria dos teatros mas em alguns ainda convive com o arco e até com a luz a gás. Em 1891, utilizando-se dos novos recursos, a bailarina Loie Fuller realiza um espetáculo surpreendente, onde a luz é também em elemento plástico da obra. Em 1895 está no auge o naturalismo e os simbolistas, ambos contra o romantismo, o realismo no palco muda as concepções de iluminação, Appia suprime a ribalta, Antoine está no auge na França e logo surgirá Stanislavski, na Rússia. Craig sugere a luz como elemento de vida no palco e Luimère apresenta o cinema no Grand Cafèe Paris. Um grande caldeirão de novas idéias e milhares de sugestões para a técnica da iluminação. A cor é utilizada com grande utilização através de lâmpadas coloridas e vidros pintados com aniliana transparente. O Naturalismo sugere a luz do dia, os raios do sol, o luar, a tarde plúmbea, o fogo ao longe e outros criadores do clima ambiental, que regional ou sazonal. Em 1914, inicia-se a 1º Guerra Mundial e, com os primeiros disparos de canhões, o fim da “Belle Epoque”. Os expressionistas usam a luz como elemento de tensão, de clima emocional, divergido dos realistas. Em 1942 a eletrônica conta com o transistor, o novo material semi-condutor que tornou obsoletas as válvulas e em 1955 inventam o SCR e o Triac, dois outros materiais semi-condutores indispensáveis para a construção dos “dimmers” (resistências), embora o seu alto custo nos faça ainda usar a resistência de fio níquel cromo e até a de água e sal. |